segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Quando o meu filho perguntar: Porquê?

A ver uma série de televisão norte-americana, assisti a uma cena que, muito simplesmente, retratava aquela idade chata dos putos - a "idade dos porquês". E, como o meu cérebro é algo que não pára, comecei a pensar no futuro, quando um dia tiver criaturas pequenas e irritantes a atravessar esta fase tão importante da vida.

Quem me conhece, dificilmente me imagina com paciência para aturar tanta questão. E a bem ver, eu próprio não me consigo imaginar a contar a história da cegonha que vem de Paris ou da semente que o paizinho colocou na mamã. Na minha cabeça, durante os breves instantes em que me debrucei sobre o assunto, surgiram dois cenários óbvios e lógicos: ou a mamã tem essa paciência e vai estar sempre presente na altura dos porquês ou o puto está, literalmente, tramado. Digo isto porquê? Porque eu sou um inventor de histórias, não sou mentiroso, sou inventor. Tenho um personagem ou um tema e consigo inventar uma história mirabolante à volta disso. Já testei várias vezes, em situações completamente irrisórias e o resultado é sempre o mesmo: uma história mirabolante.

Pobres crianças quando me questionarem sobre o porquê de terem de comer a sopa ou lavar os dentes. Ou então o porquê de estarem trancados no armário enquanto o pai e mãe vão jantar fora. É certo que irei contar a verdade às vezes mas desde dinossauros a esquilos-voadores, vão ouvir um pouco de tudo.

- Papá, não quero mais sopa! Tenho de comer toda porquê?
- Ainda bem que perguntas, Xiquinho. Lembras-te da menina do quiosque onde o pai vai comprar o jornal que depois não lê? É bonita, não é? Pois, a mamã era tão bonita quanto ela mas um dia não comeu a sopa e agora é feia e gorda. O papá comeu sempre a sopa e agora é um cavalheiro elegante. Percebes?

- Papá, papá. O céu é azul, porquê?
- Ainda bem que perguntas, Xiquinho. Quando o papá nasceu, o céu não tinha cor. E então o papá foi falar com o dono do mundo para o céu ter cor. O dono do mundo não quis ouvir o papá e para provocar o papá, tornou o céu preto, e todos os meninos olhavam para o céu e ficavam tristes. Então o papá foi novamente ter com o dono do mundo mas desta vez levou um pau. E o dono do mundo quis ser mau mas o papá usou o pau e bateu no dono do mundo, que depois chamou os amigos para baterem no papá mas o papá encontrou uma espada e cortou os maus ao meio. Entretanto apareceram esquilos-voadores que cuspiam fogo e tentaram fazer mal ao papá mas o papá transformou-se em super-guerreiro e com um kamehame em forma de noz transformou todos os esquilos-voadores em seres fofinhos. Mas o céu estava a ser engolido por um buraco negro e um Deus disse que só o "escolhido" podia salvar o céu e o papá teve de entrar no buraco negro, onde nunca ninguém tinha entrado, e entrou, e entrou, e foi até ao fundo, conduziu um descapotável, namorou com sereias, lutou contra tigres e conseguiu recuperar o céu! Depois, o papá perguntou a todos os meninos do mundo qual era a cor que queriam. Mas como o papá encontrou muitas meninas, democraticamente o céu devia ser rosa ou verde-turquesa. E então, o papá decidiu dar ao céu a cor dos teus olhos Xiquinho, para sempre que olhes para o céu saberes que o papá gosta muito de ti, mesmo quando te mete de castigo.
- Mas papá, os meus olhos são castanhos.
- Pois... queres ir comer um gelado?

Pobre gaiato, pobre gaiato...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Os Franquelins desta vida

Ai os Franquelins desta vida. Num país de fachada, existe ainda alguém que acredite em política? No Governo há muito que ninguém acredita, aliás, é comum dizer-se que o povo vota nas pessoas mas quando estas chegam ao poleiro vira tudo igual, e parece que agora vamos deixar de confiar nas pessoas. Eu, por respeito a mim mesmo, vou, que fique oficialmente aqui explícito, deixar de acreditar em política. Se fosse falar de democracia perdia caracteres e tempo, e se o tempo é dinheiro, mais vale poupá-lo e evitar gastá-lo em futilidades.

Este Franquelim (uma adaptação foleira de um nome estrangeiro que faz lembrar um cantor pimba) é o novo bobo da corte, ou seremos nós os bobos "desta corte". Hoje é notícia o facto do rapaz ser um consultor precoce, aos 16 anos já fazia consultoria (um prodígio, talvez) a uma empresa que viria a ser criada passados 19 anos (duplo prodígio, diria eu, um visionário)! Como não sou jornalista, fui à Infopédia onde diz que o Franquelim entrou na empresa em questão dois anos após ter terminado a licenciatura em Economia, ou seja, entrou para a empresa aos 27 anos e não aos 16 (maldita Infopédia, a deitar por terra um prodígio português com nome de cantor pimba). Ao que acrescento que a dita empresa, fundada em 1989, deriva da junção de duas empresas que já existiam há largas décadas. Mas esse trabalho de investigação cabe a jornalistas e detectives, eu sou apenas um ser chato.

Na verdade, estou-me nas tintas para o currículo dos nossos governantes, licenciados em aldrabices. A credibilidade é algo que se esconde ao ouvir falar deste governo desgovernado. Franklim, à inglesa, era o nome de um gato que nasceu no palheiro da minha avó. Posso até confidenciar que fui padrinho do gatinho, e a minha prima foi a madrinha. Procedemos ao baptismo, com direito a água benta e tudo! Vá, era água da torneira mas nunca me descaí ao pé do Franklim, gato. O Franklim, gato, nunca foi à Universidade, nunca trabalhou na vida, casou-se, teve filhos, e desapareceu do mapa. Com estas histórias todas do Franquelim, à portuguesa, liguei à minha avó a perguntar pela família do Franklim, o gato. Ao que parece, o Franklim, gato, dizia à mulher que tinha um bom currículo e que tinha tirado uma licenciatura, possivelmente tirada ao domingo. A pobre esposa, agora viúva sem nunca se ter despedido do cadáver de Franklim, gato, conta que a última vez que o viu ele disse que ia comprar tabaco. Se fosse eu tinha desconfiado - o Franklim, gato, não fumava. Se calhar fugiu para o Brasil ou foi adquirido por alguma empresa angolana. Ele ultimamente andava com ar suspeito, já nem caçava ratos da mesma maneira. Nunca mais ouvi falar dele, Franklim, o gato.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Exercitar o cérebro

É senso comum que existem certas particularidades que diferenciam os homens das mulheres. Não sendo totalmente correcto, até porque sou dos que defende que os homens e as mulheres não são todos iguais, existem certas particularidades que encaixam na grande maioria das pessoas do mesmo sexo.

E agora vou debruçar-me sobre isso mesmo. Para começar, estou a tirar uma formação numa área ligada ao futebol e, na primeira aula, o formador deu algumas sugestões para nós exercitarmos o nosso cérebro. Coisas simples como lavar os dentes com a mão canhota ou comer com os talheres trocados podem ser acções bastante interessantes para obrigar o nosso cérebro a trabalhar mais em situações do dia-a-dia e para as quais já temos processos e rotinas assimiladas. Achei interessante, e até comecei a lavar os dentes com a mão esquerda - até agora posso dizer que já sujei duas blusas com pasta de dentes e tenho um hálito menos fresco contudo, acredito que com a prática estarei pronto a desempenhar esta tarefa com igual mestria quer à destro quer à canhoto!

Outra sugestão, porém, deixou-me mais apreensivo. Querem saber qual é? Cambada de curiosos! Parecem o meu gato, sempre a meter os bigodes em todo o lado. Raio do gato tem um fetiche qualquer com portas. Assim que vê uma porta a abrir - zingas! - lá vai ele explorar o novo recanto que se abre. Seja um armário, a porta de uma divisão da casa, a porta da varanda, a porta da rua, uma caixa, seja o que for, o estúpido do felino vai saltar lá para dentro à Indiana Jones para explorar, sempre a explorar. Mas a sugestão era outra: mudar o caminho que se faz todos os dias, por exemplo, experimentar uma nova estrada para o trabalho. E quanto a isso, achei má ideia. Isto porquê, porque eu, sendo homem, não pergunto indicações a ninguém e, como tal, já andei perdido algumas vezes. De modos que, experimentar um caminho novo pode dar mau resultado. Uma vez, queria eu ir ter a Alfragide mas enganei-me na saída e, sorte a minha, quando dei por mim estava na Damaia. Nada contra o sítio, até pareceu bastante bonito, mas andei por bairros onde só entra o corpo de intervenção e não me pareceu boa ideia pensar em mudar o caminho que sigo para o trabalho todos os dias por uma aventura ao vivo por reportagens do jornal da TVI. Lavar os dentes com a mão esquerda, ainda aceito, mas arriscar chegar ao trabalho só de cuecas, não me pareceu boa ideia. Fica a sugestão.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Multiplicação dos youtubers portugueses

Já ouviram falar no Puto Miguel? Um novo "pseudo-fenómeno" made in Youtube.

A semana passada estava eu a vaguear por uma famosa rede social à procura de imagens com piada para me distrair quando vejo duas partilhas de amigos meus para um novo sucesso do Youtube português - o Puto Miguel. Curioso, cliquei lá na hiperligação e fui levado para isto. À altura em que estou a escrever isto, este novo "pseudo-fenómeno" já conta com mais de três mil subscribers (acrescento, a título de comparação, que Salvador Martinha, um dos melhores humoristas portugueses da actualidade, tem cerca de dois mil subscribers) e tem apenas dois vídeos. O conteúdo é fraco, não consigo ir contra os meus princípios e dizer que é bom ou aconselhar a visualização dos seus vídeos. Mas, e como eu sou do contra por natureza, aprovo esta ideia. Um puto de nove anos, segundo a sua descrição, com um sotaque profundo e uma barriga onde se pode ler "excesso de McDonald's", que quer fazer um vlog ou simplesmente ter vídeos no Youtube. E porque não? Força nisso puto!

Isto faz-me lembrar a minha mocidade, os anos de puberdade passados no Algarve onde, em conjunto com uns amigos e várias borbulhas faciais, também pensei em fazer sucesso no Youtube. Não conseguimos. Contudo, podemos orgulhar-nos do resultado, sem contar com os penteados que eram deveras horrendos, há oito anos atrás o meu cabelo, se tivesse vida própria, iria suicidar-se todas as manhãs ao olhar-se ao espelho. Isso talvez explique porque perdi a virgindade tão tarde mas isso são linhas para outros textos. Belas tardes a jogar PES na Playstation e a criar conteúdos humorísticos, sempre na galhofa. Talvez um dia me debruce sobre esse grupo de gaiatos bonitos. Fizemos, a nível local, quatro espectáculos ao vivo, enchemos uma sala com cerca de oitenta lugares e actuamos para mais de duas mil pessoas. E era apenas uma brincadeira de gaiatos. Alguns vídeos ainda estão online, algumas ideias ainda estão perdidas em pastas escondidas no computador ou em antigos cadernos. Algumas ideias ainda podem valer umas boas gargalhadas, mesmo tantos anos depois. Mas tivemos pouca sorte, por isto ou por aquilo, não fomos capazes de contrariar algumas adversidades e deixamos o projecto morrer.

Por isso, e por muitas mais razões, deixo aqui uma palavra de incentivo aos vários Putos Miguéis e putos como eu há oito anos atrás: não desistam, deixem-se levar pela imaginação e façam alguma coisa por vós. Eu, que nunca andei de avião sequer, conheço dezenas de youtubers norte-americanos, mas conheço poucos portugueses. Há que incentivar os corajosos que se arriscam perante milhares ou milhões de "espectadores". Quantos mais aparecerem, maiores as probabilidades de termos bons youtubers portugueses, bons comunicadores, bons humoristas. Nos Estados Unidos, existem milhões de youtubers mas apenas dezenas merecem crédito. Não podemos esperar que em Portugal todos os youtubers sejam bons. É preciso que apareçam muitos, maus, péssimos, indiferentes, até que apareça um bom, dois bons, muitos bons. Se Jesus fez a multiplicação dos pães, que se faça a multiplicação dos youtubers portugueses!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Efeito bola de neve


Nunca vi neve, já vi gelo ou algo parecido com neve mas neve a sério, como se vê nos filmes, nunca vi. Talvez porque venha do Algarve, conhecido pelo calor e praias, talvez por viajar pouco ou nada, talvez por não gostar do frio. O facto é: nunca vi neve. Mas é como se visse neve todos os dias, ou pelo menos estou metido numa grande bola de neve.

Li há pouco que vão fechar mais 15 salas de cinema no Algarve, nove na Guia e seis em Portimão. Isto no dia seguinte a ter ido ver o novo filme de Tarantino ao cinema e ter encontrado uma sala a meio gás, mesmo com os descontos de segunda-feira. Isto depois de já ter lido que o número de espectadores diminuiu em 2012. Isto depois de ter visto que o filme Morangos com Açúcar teve um sucesso do camandro. Isto depois de ter visto que os bilhetes de cinema aumentaram de preço a velocidade vertiginosa nas últimos anos. Isto depois de ver que o IVA na cultura subiu à bruta. 

Conclusão: este país destrói-se a si próprio, destrói a sua identidade, vende-se ao preço da uva mijona, compra tudo o que é estrangeiro, apoia tudo o que é vergonhoso, expulsa os inteligentes e corajosos.

Os Globos de Ouro portugueses e outros prémios nacionais são uma ofensa à cultura. Não me apetece divagar sobre os vencedores, gosto de ir ao fundo da questão e indagar-me contra a sua nomeação. Lá fora, temos realizadores, filmes e actores portugueses que são galardoados em vários festivais, cujo valor junto da indústria cinematográfica é enorme. Mas de que importa isso para nós? Afinal de contas, são portugueses. 

A cultura está cara, os espectadores pensam duas vezes antes de ir e tentam escolher algo que sabem que vão gostar. E o efeito bola de neve está para durar. 

Hipoteticamente falando, eu ganhava X e conseguia ir várias vezes ao cinema, ao teatro, ao futebol, comprava jornais e revistas, comprava livros, tinha um bom telemóvel e roupa de marca. O Estado lembra-se a tirar-me uma bela fatia do ordenado e começo a cortar em algumas coisas que gosto de fazer. Como se não bastasse, tudo aumenta de preço. Para melhorar, aumentam os serviços, a água, o gás, a electricidade, os transportes, as idas ao médico, o preço do combustível, e vou cortando no uso que dou ao dinheiro. Mas o pão e as compras no supermercado também aumentam e eu passo a comprar produtos mais baratos e em menores quantidades. Antes ia almoçar fora todos os dias e bebia um refrigerante mas sinto o bolso mais apertado e vou só uma vez por semana. No café onde almoçava o dono queixa-se que os produtos que compra estão mais caros, tem de pagar mais impostos sobre o que vende, tem de pagar mais pelas contas de utilização do espaço, é obrigado a aumentar uns míseros cêntimos no que vende mas a clientela está falida e nota o aumento, deixando de ir com tanta frequência. Tudo fica mais caro e a carteira mais curta. Perco dinheiro, perco qualidade de vida, e nem o "desenrascanço" de português me tira do sufoco ao fim do mês. E a bola de neve vai crescendo e parece que neste momento só tenho neve na carteira. O que me vale é que estou a falar no "hipoteticamente"...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Há coisas que magoam

As palavras magoam, os gestos magoam, um pontapé no meio das pernas aleija para caraças e entalar certas partes do nosso corpo no fecho éclair pode deixar o mais valente dos homens a desejar que a sua vida acabe. Hoje, ia quase entalando certa parte do meu corpo no fecho das calças e fiquei a suar só de ver a proximidade. Estive a escassos nano-milímetros e a um nano-segundo de chorar que nem um pequeno petiz a quem dizem que já não há tarte de natas e que o Pai Natal morreu num acidente de trenó porque o Rodolfo não respeitou um STOP e foi abalroado por um Boeing 747.

Pronto, já passou, já posso voltar a respirar normalmente e com a certeza de que, até à próxima ida à toilette, estarei em segurança. Não me consigo habituar àquilo de calças com botões, dá uma enorme trabalheira e às vezes uma pessoa está mesmo aflita e há aquele último botão que só desarma se tivermos grande mestria e precisão para o fazer saltar do aconchego, sem falar que os botões criam ali um enchumaço que as raparigas ficam a pensar que somos todos descendentes do Kid Bengala. A vida continua e a semana ainda mal começou.

Eu tinha uma boa ideia para este texto mas, visto que o nível da conversa está abaixo da cintura (no caso do Kid Bengala ou está no chão ou no pescoço porque a "régua" não se acomoda em ficar abaixo da cintura), vou-me deixar de boas ideias. Quem sabe, logo publico algo interessante ao final da tarde ou amanhã.

Deixo apenas um conselho, principalmente para os mais jovens: levantar o tampo da sanita, abrir a braguilha (seja de botões ou fecho convém abrir), processo de aliviação, sacudidela, e agora muito importante - recolha, e fecho da comporta. Todos os dias, de preferência várias vezes ao dia para que o sistema funcione em condições. Para os jovens que não conhecem o Kid Bengala tenho uma dica: se a tua mãe costuma usar o mesmo computador que tu - elimina o histórico da Internet após pesquisares pelo senhor... Boa semana amigos!

sábado, 26 de janeiro de 2013

Rúben Faria, novo herói nacional (por breves instantes)

Rúben Faria, 38 anos, algarvio (cada vez sou mais orgulhoso por ter nascido neste Reino), piloto de motos, vice-campeão do Dakar2013.

Facto: a missão dele era ajudar Cyril Despres a vencer o seu quinto Dakar - missão cumprida.
Facto: liderou o Dakar e "perdeu" a liderança para o francês - profissionalismo.
Facto: queria terminar no top 5 - ficou em 2.º.
Facto: tivemos quatro pilotos portugueses no top 10 - em equipas estrangeiras com patrocinadores estrangeiros.
Facto: à chegada a Portugal todos os jornalistas conheciam Rúben Faria e estavam fãs à sua espera no aeroporto - à partida ninguém fez alaridos e só Hélder Rodrigues interessava.

Rúben Faria (11) ao lado de Despres (1).
Quando saí da Universidade tinha uma visão diferente de muitas coisas no mundo, uma visão mais elaborada, mais atenta, mais picuinhas. Passei a tomar mais atenção aos detalhes e aos pormenores, deixei de ter uma visão ingénua sobre o que acontece à minha volta. No desporto, esse mundo que tanto adoro, comecei a reparar em coisas insignificantes como a expressão dos desportistas, os movimentos, as suas acções, as suas decisões. Consigo adivinhar lances ou jogadas durante o desenrolar das mesmas. Ainda não consigo prever o futuro mas decerto que há seis anos atrás tinha um olhar diferente sobre as coisas. E também passei a reparar no público. Nos estádios de futebol, para puxar o exemplo mais típico do povo português, existem adeptos e grupos de adeptos ou claques que puxam pelas equipas e pelos seus ídolos (ou que simplesmente chamam nomes e insultam os árbitros mas isso agora não interessa). Porém, enquanto que em Inglaterra e na Alemanha, pelo que vejo na televisão por cabo, os adeptos puxam pelas equipas do início ao fim, em Portugal são as equipas que puxam pelos adeptos. Se a equipa está a jogar mal os adeptos adormecem mas se a equipa faz uma jogada fantástica ou marca um golo, o estádio ganha vida, um imenso ruído torna o ambiente fantástico e durante uns segundos parece que estamos a viver o jogo, depois tudo volta a acalmar.

Com o Rúben aconteceu a mesma coisa. Era apenas mais um a caminho da América do Sul mas a sua magnífica prestação cativou os olhos da imprensa e de um país, somou pódios, liderou a prova-rainha de todo-o-terreno e terminou na melhor classificação de um português na prova. À chegada a Portugal era o maior! Aproveitou para mostrar a sua humildade, ao dizer que a sua missão sempre foi ajudar o seu companheiro e que se fosse preciso parar para que Despres ganhasse, ele parava e cedia a vitória, e para deixar uma pequena mensagem ao país "três pilotos de motos no top 10 e nenhum patrocinador português". Como te percebo bem compatriota, como te percebo bem. Esta semana foi um herói, candidato a maior figura do desporto nacional, esteve naqueles quadradinhos das capas dos jornais que costumam ser dedicados aos filhos que dão tiros de caçadeira nos pais, 15 minutos de merecida fama e o público vai deixar de puxar por ele até que ele volte a puxar pelo público. Triste sina esta de nascer português. Mas o desporto motorizado português está bom e recomenda-se! Miguel Oliveira, no Moto GP, e Félix da Costa, na Fórmula 1, são as promessas que se seguem, atentem no que vos digo! Bom fim-de-semana amigos!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Criar crocodilos é o negócio do futuro

Ontem foi notícia que "fugiram 15 mil crocodilos de uma quinta dedicada à criação daqueles animais na África do Sul"... (pausa) 15 mil crocodilos, quinta, criação... Já tinha ouvido falar em criação de gado, de pintos, de aves exótivas, de abelhas, mas criação de crocodilos?

Quem é que cria crocodilos e porquê? A sério, gostava de conhecer a quinta e o dono. Isto faz-me pensar (sim, grande parte do meu dia é passado a pensar nestes assuntos cujo conteúdo de interesse ronda o nulo negativo). "Some day, and that may never come", citando o grande Don Vito Corleone, gostava de criar alguma coisa. Não digo uma criação de crocodilos porque não percebo muito de crocodilos. Digamos que os meus conhecimentos de crocodilos derivam um pouco em redor do Peter Pan e dos domingos à hora de almoço no National Geographic em que os crocodilos fazem sempre o papel de maus e comem antílopes e zebras. Nem quero imaginar a despesa que teria a alimentar comedores de herbívoros de 200 a 300kg. Será que tinha de criar também zebras e antílopes para alimentar os crocodilos? No supermercado onde compro comida para o meu gato nunca vi comida para crocodilos, teria de mandar vir do ebay? Era preciso ter um lago ou um pântano para criar crocodilos? Se tivesse um rio a passar na minha quinta eles podiam fugir e seria aborrecido. Os crocodilos levam vacinas? O veterinário que vacinou o meu gato era gordinho e baixinho e parecia um bocado cobarde, aliás, antes de sedar o gato ainda foi atacado duas vezes e escondeu-se atrás do sofá a chorar enquanto eu segurava calmamente o gatinho, duvido que ele vacine crocodilos. Mas eu não iria querer criar crocodilos doentes. E tinha de contratar alguém para dar banho e puxar o lustro às escamas, os meus bichinhos tinham de estar bonitos e lustrosos. Curiosamente nunca vi anúncios a pedir puxadores de lustro de reptéis. É uma área para investir.

"O Xiquinho no dia do seu baptizado, antes de vestir o fato e comer o caniche da vizinha. Sempre a sorrir para a fotografia."
E agora, de forma genial, acabei de ter uma ideia para um negócio. Vou abrir uma quinta para criar crocodilos! Aliás, várias quintas, uma para aligatores, outra para caimões, outra para jacarés, outra para gaviais. Depois abria uma escola de tratadores de crocodilos e no primeiro ano de curso as aulas práticas seriam na quinta dos pequenos caimões, que parecem ser os bebés-crocodilo mais fofinhos e estão sempre a sorrir com os olhos a brilhar na direcção dos antílopes. E os alunos mal comportados iam de castigo para a jaula dos aligatores adultos. Posso até criar um parque de diversões com passeios no lago para ver os crocodilos, na minha terra dão passeios no mar para ver os golfinhos e os turistas adoram aquilo, tudo o que mete passeio, água e animais, os turistas deliram. Até podem tirar fotos com os crocodilos e fazer festinhas, no Zoomarine as crianças pelam-se por fazer festinhas aos golfinhos. Dá para fazer festas de aniversários temáticas. Os crocodilos camuflam-se e as crianças têm de ir caçá-los. A última criança viva ou aquela que tiver mais membros ganha um gelado. Vai ser um espectáculo!

Estas modas sociais...

As redes sociais e esse mundo que há-de ser eternamente recente, essa coisa de Internet, não deviam estar ao alcance de todos. Para criar uma rede social, para além de idade mínima e conta de e-mail, devia ser requerido aos candidatos que preenchessem um pequeno questionário ou teste de QI.

Ora vejam, depois do planking, do milking e de muitas outras coisas maradas, dizem que agora está na moda tirar fotografias na neve... todos pelados. Eu até nem sou contra a ideia de ver miúdas de corpos esbeltos na neve em trajes menores ou sem trajes mas não acho que seja boa ideia isso virar moda. Pela mesma razão que eu não vou a colónias de nudistas. Fui uma vez, é verdade, mas correu mal. Ao fim de dois dias a ver mulheres nuas a toda a hora, bonitas e feias, comecei a fartar-me da situação. Não me interpretem mal, já voltei a gostar de ver mulheres peladas mas na altura ficava mais excitado com uma muçulmana de burka do que com uma top model pelada. E a ver gente pelada na neve vai tirar a piada a ver, efectivamente, miúdas de corpos esbeltos na neve em trajes menores.

in cmjornal.xl.pt
Contudo, estas modas deixam-me preocupado e as redes sociais são um templo das modas, das invejas, dos copianços. Se os meus amigos gostam disto, também vou gostar disto, se eles fazem isto, também quero fazer isto, se eles vão de férias para uma praia paradisíaca eu quero ir de férias para uma praia ainda mais paradisíaca. Acredito que algumas modas sejam giras e que algumas ideias contribuam para uma enorme paródia mas fico reticente quando penso na moda duck face ou até no planking. E na neve deve fazer um frio desmandado que aquilo mirra tudo. Que diachos, vou ver se aproveito o fim-de-semana para dar um saltinho à Serra da Estrela para tirar umas fotos pelado na neve ou, se não houver neve por lá, aproveito uma viagem aérea low cost, que a vida não anda para grandes luxos, e viajo até um sítio qualquer onde haja neve por menos de 10 euritos. Só espero que nada congele com o frio que eu venho dos Algarves e estou mais habituado a ver gente pelada ao calor...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Meia volta na distrital algarvia


Disse, há umas semanas, que tinha sido convidado para escrever umas linhas sobre futebol no Algarve. Aqui fica o resultado, publicado online no site www.litoralgarve.com.


"Metade do campeonato volvido, altura de análises e balanços, momento de apontar as surpresas e as desilusões, tempo de lançar os búzios e tentar adivinhar quem vai ser campeão no final da outra metade. Com pena disse adeus à 2.ª distrital mas com grande vontade disse olá à "Distrital".

Posto isto, permitam-me que divida este texto também em duas metades. Primeiro: a situação financeira do país levou ao desaparecimento de vários emblemas e obriga a novas ginásticas por parte das direcções. Segundo: com tristeza vejo a tabela classificativa tão estratificada.

Crise, crise e mais crise. Dívidas, falta de dinheiro, austeridade, fim de subsídios, adeus Estado amigo. Tenho pena que vários emblemas tenham desaparecido mas a situação já se andava a arrastar há alguns anos e o fim, de alguns, era inevitável. Muitos clubes e associações persistem à conta das autarquias, do Estado. Meus amigos, o Estado está falido e esse modelo morreu há muitos anos. Ainda existem autarquias que conseguem resistir e continuam a alimentar clubes, claro que existem, mas na sua maioria este modelo tende a extinguir-se a si próprio. Tenho pena pelos jovens, sempre eles os mais afectados, que perdem referências desportivas na sua terra. E o facto de jogarem bem ou mal é um mero dado estatístico, em campo estavam mais que 11 jogadores, estava uma aldeia, uma vila, uma freguesia, um município, várias famílias e uma paixão. É preciso que as gentes da terra se unam para combater o fim do desporto regional. Patrocinadores, marketing, redes sociais, sponsoring, essas palavras esquisitas têm de ser amigas para que o futuro seja possível. Há 10 anos era frequente ver na camisola das várias equipas, de futebol e não só, a letras grandes e todas pimponas "Câmara Municipal" ou "Município". Maior e, em largos casos, único apoio dos clubes. É urgente que o comércio local, as pessoas de posses e os empresários que investem no Algarve apoiem o desporto regional. Contudo, ninguém no seu perfeito juízo investe dinheiro sem retorno, excepto o Estado. E aí está um dos maiores obstáculos dos clubes para os próximos anos: convencer aqueles que podem apoiar. "Porque vou eu investir dinheiro num clube? O que ganho com isso?" Duas perguntas mágicas às quais é preciso responder para sobreviver neste século XXI. Mais do que resultados desportivos, as empresas procuram um retorno, pretendem ter mais clientes, facturar mais, trabalhar mais. Se o supermercado A patrocina o clube da terra e o supermercado B não, de certeza que umas poucas pessoas vão optar por fazer compras no supermercado A.

Em termos futebolísticos, existem, infelizmente, dois grupos bem distintos na classificação. Na metade superior estão as equipas que militavam na 1.ª distrital no ano transacto, na metade inferior estão as equipas da 2.ª distrital mais o Alvorense, último da 1.ª. Estou desiludido porque esperava mais de certas equipas. O Aljezurense, por exemplo, campeão sem derrotas da 2.ª, soma apenas quatro pontos em casa, depois de ter estado ano e meio sem sofrer derrotas no seu reduto. Também o Ferreiras me desiludiu com o seu fraco início de época. Pela positiva tenho de elogiar o trabalho do Moncarapachense e Culatrense, com várias caras novas conseguiram criar um grupo para lutar, quem sabe, pela subida. O desaparecimento de certas equipas levou a que vários jogadores procurassem novas aventuras e algumas equipas conseguiram reforçar-se bem. Temos muitos jovens a despontar e é com alegria que vejo quatro equipas na luta pela subida, separadas por apenas seis pontos. Resta saber quem acredita ter condições, financeiramente e a nível de estruturas, para disputar a 2.ª Divisão Nacional. Penso que o Imortal ainda irá subir na classificação mas continuo a ver no Ferreiras o principal candidato. Depois de ter deixado escapar a subida o ano passado, Ricardo Moura parece orientar a melhor formação da distrital. Já faltam menos de cinco meses para sabermos as respostas a todas as perguntas. Venha daí a segunda volta, com muitos golos e emoção!"