terça-feira, 30 de julho de 2013

Era fixe se Portugal tivesse jornais desportivos

É comum ver os portugueses a falar mal do seu país, possivelmente também acontece lá fora, mas aqui chateia mais o português patriótico. Eu sou gémeos logo, sofro de uma espécie de bipolarismo estrelar (as amigas da Maya dizem que os gémeos têm dupla personalidade e eu aproveito-me disso para explicar as minhas rápidas mudanças de humor e de ideias). E hoje sou patriótico e encho o peito!

Uma crítica pode ser positiva ou negativa mas nunca deixa de ser uma crítica. Há quem lide mal com críticas, como eu quando os astros se alinham a sul, ou a norte, não tenho a certeza, quando estou de mau humor, vá. E hoje atiro-me aos jornais de futebol do nosso país. Depois de um português a vencer duas etapas do Tour, um português a vencer uma das maratonas mais duras do mundo, uma dupla portuguesa a vencer o Europeu Universitário de voleibol de praia, e muitos mais, continuamos a ser um país de futebol. Temos um futebol de bom nível mas temos, acima de tudo, um desporto de bom nível. E em Portugal a palavra desporto é um sinónimo de futebol. Tão estúpido que chegamos a esquecer que futebol é uma modalidade desportiva, tal como o andebol, o atletismo, o ciclismo ou o bate pé! Bem, se calhar estou a exagerar na parte do bate pé, mas vocês perceberam. Os nossos três jornais diários desportivos (já alguém reparou que somos, possivelmente, o país com mais jornais desportivos diários por habitante?) são jornais de futebol, uma vergonha. Só novelas, só mentiras, só trocas de "boquinhas" de meninos mimados. O defesa esquerdo do Sporting solta gases na sua apresentação e todo o país fala sobre isso, o Carlos Sá vence uma prova mundial e meia dúzia de pessoas apercebe-se disso. O futebol até pode continuar a vender mais que as outras modalidades mas a paciência para as novelas de verão, para as falsas contratações e para os amuos dos próximos Figos começa a esgotar-se. O público quer sentir orgulho no seu país, quer folhear um jornal e ler notícias a sério, entrevistas a alguém de interesse. Já ninguém quer ler que o Cardozo voltou a sair para o Fenerbahçe quando nas últimas duas semanas ele já foi confirmado umas sete vezes e sempre por valores diferentes. Toda a gente já sabe que ele vai sair, ninguém quer ler a mesma notícia durante tanto tempo e sem nada de interesse pelo meio.

Por isso, deixo aqui uma ideia maluca para os jornais de futebol deste país... Mais páginas sobre desporto e menos sobre futebol, pode ser? Vamos tentar seguir estes exemplos de boas capas de jornais! Permitam-me a arrogância mas acredito que uma capa com o Rui Costa possa vender tanto ou mais que uma capa com o Cardozo.




quarta-feira, 17 de julho de 2013

Pensamento idiota do dia

No meu local de trabalho co-habitam, durante o horário laboral, 10 pessoas, entre as quais eu próprio.

Ontem tinha um penteado que parecia um Beatle, comprido e até tinha umas patilhas enormes. Hoje apareci aqui com cabelo curtinho, todo acertadinho e a cheirar a Verão.

Ninguém reparou. E eu importei-me com isso. Não por sentir que joguei nove euros janela fora mas, simplesmente, por ninguém ter dito nada. Será que isto é um sentimento muito fêmea? Acho que pode ser apenas por eu gostar de ser notado e de odiar que me ignorem. Já me estragaram o dia e nem precisaram de fazer nada...

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Como ser odiado, capítulo I

Ver televisão portuguesa numa noite de fim-de-semana tem este perigo (atenção, conteúdo susceptível de causar perturbações em pessoas intelectualmente desenvolvidas) - ver programas portugueses. Amigos, ou seguidores, nada tenho contra programas ou portugueses, mas programas portugueses costumam assustar-me. Mas só aqueles que envolvem pessoas com QI inferior a um peixe-espada. Ou uma garoupa, se calhar é mais garoupa.

No sábado, dei por mim a saltitar entre canais, ou zapping em inglês, e deparei-me com o novo sucesso do terceiro canal: Olé!

E aprendi uma nova forma de ser odiado, que vou partilhar convosco para o caso de quererem ser odiados. Às vezes faz-me sentir especial saber que alguém pode estar neste determinado momento a pregar alfinetes num boneco com a minha fotografia. Talvez isso explique umas pontadas nas costas que costumo sentir com alguma frequência.

Ora, vamos a factos. Gosto de touradas, sinto uma admiração especial pela Lili Caneças e fiquei com a sensação que a apresentação de Bárbara Guimarães e José Figueiras foi a pior que já vi em televisão, ou melhor se estivermos a fazer um jogo de bebida cujo objectivo seja beber sempre que eles se enganam. Neste momento, posso garantir que 90% do público já pensou em vários nomes para me ofender. Confessa lá, quando leste Lili Caneças quiseste chamar-me "Ghandi"!

Peço, humildemente, que não me tomem por parvo, quando era mais novo era espectador assíduo do Big Show Sic e dos programas da Teresa Guilherme. Mesmo assim, este serão de sábado foi especial graças a essa combinação: toiros, Lili Caneças e Guimarães-Figueiras. Obrigado terceiro canal por me fazeres sentir "normal"!

terça-feira, 18 de junho de 2013

Please, mind the gap!

Please, mind the gap!

O que fica da primeira viagem a terras de Sua Majestade: torneiras com água muito quente, urinóis baixos (até para um português de estatura média) e raparigas com sobrancelhas exageradamente cuidadas. Please, mind the gap! Se há coisa que preocupa as inglesas parece ser os pêlos na testa! Um pobre pêlo fora do sítio e muita garota é capaz de se jogar de um sétimo andar sem pestanejar! Please, mind the gap!

Fica no ouvido...

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Mercearia não portuguesa

A mercearia/frutaria aqui da rua (não acho que seja suficientemente grande para fornecer o bairro todo contudo, se a vizinhança menos próxima aqui passar também será atendida) é gerida por uma família de asiáticos.

Facto interessante: a maioria dos produtos lá vendidos é de marca portuguesa. Os portugueses preferem vender produtos importados e de pior qualidade.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

País de azeiteiros!

Do Tino de Rans à Ana Malhoa, do Ídolos ao Big Brother, eu já suspeitava que Portugal era um país de azeiteiros. Mas também somos um país de azeite.

in: ionline.pt

Da laranja algarvia ao vinho do Porto, o moscatel de Setúbal ou o belo medronho, Portugal é um país abençoado pela natureza. Só nos falta petróleo! Apesar dos boatos, ainda não se descobriu ouro negro em Sabóia. O que é bom. Se houvesse petróleo em Portugal íamos ter de vender tudo aos americanos ou então eles iam atacar-nos e tínhamos de nos aliar aos árabes, as moças roliças teriam de usar burka na praia e íamos passar a ter de rezar às cinco da tarde com o rabo a apontar para o Meco (que, se estivermos ali numa planície alentejana fica mesmo de costas para quem reza apontado a Meca). E eu não me sinto seguro nesses preparos.

Ora, um senhor escandinavo que reside no sotavento algarvio, ali para as bandas de Moncarapacho, produz um dos melhores azeites do mundo! Ah pois é! Azeite "gourmet" em Moncarapacho! Podem ler uma das muitas notícias nesta hiperligação - http://blogues.publico.pt/olhos-barriga/2013/05/30/azeite-algarvio-premiado-em-nova-iorque/. Isto chamou-me a atenção porque, sendo algarvio do Barlavento, pouco conheço do sotavento e desconhecia que existia azeite "gourmet" em Moncarapacho. Aliás, fui apenas uma vez a Moncarapacho para ver um jogo de bola e beber umas minis. O que, sendo bem verdade, dizem que a cerveja portuguesa é das melhores da Europa na categoria "lager", que é uma espécie de cerveja mais "leve". É fantástico ver os alemães a gabarem as suas cervejas fortes e a beberem a nossa cerveja "fraquinha" que nem verdadeiros machos! O pior é levantarem-se da mesa, claro! É "leve" mas bate! De modos que desconhecia a existência deste senhor sueco e do seu olival de luxo.

E como eu sou um tipo inconformado, não percebo como isto não é bom. O facto de sermos abonados pela natureza. Se calhar sou ingénuo. É estúpido, até, pensar que a exportar o que há de bom em Portugal podemos ajudar a economia nacional. Ou pensar até que investir pode ser bom para o país. Vou mas é beber uma bica à varanda e mandar uns bitaites sobre o próximo treinador do Benfica.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Vitorino Antunes, porque não?

in uefa.com
Porquê? - perguntam vocês. Porque não? - respondo eu. E vocês insistem - E porque não e porque sim?. Porque me apetece. E isso chega. Sou o único autor neste blogue, sigo os meus ideais de escrita e sou eu mesmo que escolho os temas. Portanto, Vitorino Antunes! - chuto eu! Lance anulado por carga sobre o guarda-redes, assinala o fiscal de linha.

Fizesse eu parte da estrutura benfiquista, e em Janeiro este menino tinha apanhado a carreira das 9h00 em direcção ao Seixal. Mas como não faço, foi passear até Málaga. Fez uma boa época, ficou tempo demais preso à Roma, onde nunca conseguiu mostrar as qualidades pelas quais foi contratado. Parece renascido. Aposta barata e segura. É português, já foi e voltará a ser internacional, seguro a defender e inteligente a atacar. Não é nenhum Coentrão mas é um valor seguro.

Se o Benfica um dia pensou em contratar Luisinho, não dá para trocá-lo pelo Antunes? Eu sentia-me mais seguro com o Antunes na esquerda do que com o Melgarejo. Há anos que eu digo isto: Antunes no Benfica. Mas o Emerson é melhor, adaptar o Melgarejo é melhor, Shaffer, César Peixoto, Sepsi, Jorge Ribeiro, todos eles melhores que o Antunes! (Para quem não entendeu: pura ironia) Ainda há quem me diga: "Isso é muito FM". Talvez seja. No FM o Antunes era o meu defesa esquerdo. Tal como na realidade, nunca exuberante mas sempre seguro. E se há algo que assusta qualquer benfiquista é aquela lateral esquerda, há muitos anos. Escapou-se o Coentrão e rendeu uns belos trocos.

Enfim. Na cabeça já começo a imaginar: Antunes no FCP! Alex Sandro sai para um tubarão europeu, Antunes agarra o lugar e é o melhor lateral da liga, regressa à selecção, vai ao Mundial e eu, na minha inocência estúpida vou pensar: "já sabia", "já estava a ver isto", "sempre a mesma história", "bem vos avisei"...

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Roupa masculina em modelos femininos

Há uma coisa que me incomoda. Quer dizer, há várias coisas que me incomodam. Muitas mesmo. Se calhar o mais correcto seria dizer que há uma coisa que não me incomoda. Mas isso não faz sentido para a ideia que eu quero partilhar convosco hoje. Oh diacho.

Há várias coisas que me incomodam, uma em particular... não, várias em particular, na sua maioria não estão inter-ligadas.

Vou abreviar: incomodam-me os anúncios e páginas de roupa interior masculina. Em compensação, gosto muito de roupa interior feminina, independentemente da marca. *pequeno suspiro mental - serei homossexual?*

Sou um ser humano masculino, ou cidadão se for pelo que diz no meu documentação de identificação e existência, mas tenho problemas com publicidade a roupa masculina, nomeadamente interior, e com produtos de beleza. Tipo perfumes e desodorizantes, não uso gel no cabelo nem cremes. Se calhar devia usar cremes. Não interessa agora, logo medito sobre isso nos próximos dez anos. E sinto-me incomodado porquê, muito fácil. Vamos imaginar que coloco um "like" numa página de roupa interior masculina: vou estar a levar com homens em trajes menores no meu "feed de notícias". E eu não gosto disso. É aborrecido.

Mas como hoje estou bem-disposto, vou deixar uma sugestão: mulheres gostosas em trajes menores masculinos! Muitos homens têm namoradas ou esposas. As mulheres gostam de usar a nossa roupa, às vezes até demais. Por norma até ficam jeitosas e sexys com uma blusa ou camisa ou uns calções do namorado. Pelo que, faz todo o sentido ver como os meus novos boxers ficam numa mulher bonita. Vá pessoal de marketing de roupas interiores masculinas, amanhã sugiram isso aos vossos chefes. Os compradores agradecem.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Desabafos encarnados


Escrevo este texto a poucas horas da final da Liga Europa, final de uma competição internacional, primeira final europeia onde eu posso ver o emblema do meu Benfica. Em quase 24 anos de existência neste mundo, este devia ser um dos dias mais espectaculares da minha vida (não digo felizes porque tenho namorada e para elas dias felizes são o casamento, o nascimento do primeiro filho...). Devia estar em pulgas, fechar os olhos e imaginar o capitão Luisão a erguer o tão desejado troféu, gritar bem alto Benfica de dez em dez minutos até o patrão se fartar e me mandar embora para ir ver a bola. Querer estar em Amesterdão, querer estar no Marquês de Pombal, querer ir receber os campeões europeus ao aeroporto às tantas da madrugada.

Mas não, não é assim que me sinto. Nas últimas duas semanas oiço a palavra Benfica umas dez vezes por minuto, as redes sociais inundam-se de mensagens e vídeos de motivação à conquista da tripla, na televisão todos falam e debatem e imaginam mil cenários para este final de época. Muitos me perguntam, por ser benfiquista e por adorar desporto, qual a minha opinião, o que penso. E a verdade é que me custa pensar nisso e não quero dizer o que penso. Já falta menos de um mês, depois voltará a crise, os jornalistas irão para o Algarve ouvir as queixas dos comerciantes, "este ano está muito mau, os turistas não gastam dinheiro", inevitavelmente irão chegar os incêndios e o povo irá voltar a mandar as suas piadolas nas redes sociais com fotografias na praia "a curtir o sol enquanto não se paga imposto", sempre seguido de um bonito "lol". Menos de um mês para o final daquela que podia ser uma temporada de luxo! Menos de um mês para conquistar aquilo que Mourinho e Villas-Boas tiveram a ousadia de conquistar nas minhas barbas! Um mês que custa a passar. O dia de ontem teve umas 36 horas, o de hoje deve ter 12, para equilibrar.

Sempre disse que íamos decidir a época no Funchal. E não me enganei. Faltavam poucos jogos, uma almofada de quatro pontos, dois jogos em casa, parecia estar tudo decidido com aquela vitória. E no campo, ganhámos. O jogo com o Estoril não é difícil digerir. Foram mais organizados, correram mais, esforçaram-se mais, lutaram mais, até podiam ter levado os três pontos. O Benfica entrou no Estádio do Dragão líder e mais perto de ser campeão. Perdemos no Funchal, quando o árbitro apitou, tal como voltamos a perder na Luz, quando o jogo com o Estoril terminou, e perdemos no Dragão, antes mesmo de entrarmos em campo. Este campeonato, que ainda não está decidido, pode ter sido perdido em fora de jogo técnico, no balneário. Tive raiva do Benfica quando festejaram no Funchal e tive ainda mais raiva quando choraram depois do jogo com o Estoril. Como benfiquista, sempre quis acreditar. Ir ao Dragão é um "ai Jesus". Há anos que entrar no Dragão é sinónimo de três pontos perdidos para o maior rival. É psicológico, resolve-se no balneário, foi esse medo, essa falta de confiança, que nos pode ter custado um campeonato e que me dá raiva. Queria estar alegre e confiante, mas não consigo.

Hoje sei que vamos jogar bem. Os jogadores querem dar tudo. Alguns sabem que uma boa exibição hoje os coloca num "grande" do futebol europeu no próximo ano. O Gaitán vai partir tudo, o Garay vai limpar os ataques todos, o Artur vai defender os remates todos, o Matic vai estar em todo o lado, o Salvio vai gastar o ar dos seus quatro pulmões, o Enzo vai comer a relva, o Luisão vai comandar a nau encarnada, o André vai mostrar acerto, o Melgarejo vai lutar enquanto tiver forças, o Cardozo vai marcar, o Ola John vai sair sem ter feito nada. Esta é uma final para os génios se soltarem e os campeões decidirem! Se cairmos, vamos cair à boa moda portuguesa, "cair de cabeça erguida", "cair de pé", "cair com honra", "cair...". O tempo passa depressa, a final está quase aí. Vou passar em casa e pegar no cachecol, agarrado àquela réstia de esperança que me faz acreditar que somos capazes de ganhar esta final. Na minha cabeça acredito que vamos ganhar, mas o meu corpo não vai estar no balneário.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Está na moda jogar finais

Quem toma atenção ao panorama desportivo europeu, leia-se "futebol", já deve ter notado isto: está na moda jogar finais. O Benfica lidera a Primeira Liga Portuguesa, ou Liga Zon Sagres referente ao naming dos patrocinadores, mas deixou de jogar jornadas e passou a jogar "finais".

Ora, se faltam quatro "finais" ao Benfica para ser campeão, se vencer três e perder uma já não é campeão? Quem perde uma final não é campeão. Será que o Benfica consegue perder uma final e ser campeão? Consegue, matematicamente consegue. Coisa estranha.

O ser humano é de modas, de "pancadas". Um café vazio é mau, um café cheio é muito bom, um café com duas pessoas de fato é caro, um café com duas pessoas de gorro é mal frequentado. Se um grande treinador ou jogador diz que os jogos que faltam são finais, deixamos de ter jornadas e passamos a ter finais, que bem lá no fundo não são finais.

Gosto de discursos coerentes, provocatórios, adoro mind games e ironias, não gosto de frases feitas nem que digam o que é bonito, gosto de gente directa e de indirectas. Quem diz que faltam finais devia ser banido das conferências de imprensa, mandem para lá alguém que saiba o que diz. Vitórias morais, perder porque os adversários foram melhores, jogar bem e perder, tudo desculpas, tudo tretas, tudo palavras de quem não sabe dizer nada. Quem diz que os jogos que faltam são finais peca por não saber o que diz. A primeira vez que ouvi esta expressão, há vários anos, achei alguma piada, à segunda vez soou-me mal, a partir daí foi o descalabro. Parecem aquelas frases ditas pelos comentadores que nada comentam. Vamos lá jogar jornadas e eliminatórias que as finais que se aproximam jogam-se em Wembley e em Amesterdão!